Carta Aberta ao Ziraldo - Ana Maria Gonçalves

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sexta-feira, 18 de fevereiro 2011

Caro Ziraldo,

Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "Que merda é essa?" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do eugenista Monteiro Lobato que, em carta ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).






Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o endossa : "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita "é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente".

Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro "O presidente negro ou O choque das raças" que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e médico eugenista Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois: “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".

Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." Tempos depois, voltou a se animar: "Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos". Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o Jeca Tatu, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura.

Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: "Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".

No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. "Em que estado voltaremos, Rangel," se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões". Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse do Caçadas de Pedrinho a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a palavra "merda" foi censurada? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma questão de caráter.

O que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar a Cartilha de Direitos Humanos encomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do Caçadas de Pedrinho vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: "O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem." Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.

A gente se acostuma, Ziraldo. Como o seu menino marrom se acostumou com as sandálias de dedo: "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" (ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque "(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom" (ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: "(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" (ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que "Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação: "Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, a ausência do branco" (ZIRALDO, 1986, p.30).

Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, começam a tirar notas baixas porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas.

Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, não facilita nada a vida delas. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele: "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável". Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos adquiridos na infância, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de Caçadas de Pedrinho. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo.

Assim você se defendeu de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”. Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato, "negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão", e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.

Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, como Ana Maria Machado e Ruth Rocha, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz: "Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais." É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças." Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. Cada um a seu modo, a repetir seu destino. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar.

Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense você disse que "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos: "Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz, "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos." Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "Só dói quando eu rio".

Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,

Ana Maria Gonçalves
Negra, escritora, autora de Um defeito de cor.


http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php

Racismo nas entrelinhas da escola pública - parte 2 - contradições religiosas

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Ainda não satisfeito, investiguei as doutrinas religiosas que foram alegadas como argumentos da situação problema, e fui descobrindo algumas contradições... consultei amigos da mesma linha religiosa do estudante – a Igreja Cristã Maranata, e também de linhas já tradicionais com essas questões, no mínimo, ainda polêmicas, como a Adventista do Sétimo Dia.

O amigo da Maranata fez comentários interessantes, como: não se poder brincar o Carnaval, entre outras palavras, o que os seguidores desta doutrina chamam de “festas pagãs”. Bem, é no mínimo curioso, pois o Carnaval, como o conhecemos, é cristão. E o que o cristianismo original chamava de pagãs eram todas as culturas que se baseavam em sua conexão com a natureza (ou seja, basicamente todas as culturas que chamamos hoje de tradicionais); ou no mínimo, eram pagãs aquelas culturas que não compartilhavam o mesmo deus cristão. Em nosso contexto de estudo e de aulas, com culturas tradicionais, notadamente africanas e indígenas, significaria não trabalhá-las e manter justamente a tradição brasileira das aulas de Educação Física: esportivista, ou quando não, mantendo um currículo europeizado. Este amigo sugere exatamente isto! Que eu, depois de esclarecimentos com as forças administrativas da escola e a família, aplicasse “só aulas de educação física normal ou trabalhos sobre a matéria” (grifo meu).
Até então eu tinha simulado um situação, e comentei: - E se todos os estudantes fossem desta linha e alegassem as mesmas razões, simplesmente as aulas não aconteceriam (devido à falta de participação) por conta disso? Ele comenta que eu daria aula com certeza, mas utilizando “de outros meios de estudo”. Ou seja, a especificidade da área pode simplesmente virar um detalhe, não haver movimento, não se conhecer corporalmente, não romper energicamente as travas neuróticas que o mundo tem colocado em nossos corpos. Além disso, antes, o currículo tinha ênfase nos esportes – sem problemas – como se este fosse neutro e não fizesse parte de um currículo europeizado, de normalização e de encobrimento de nossas outras bases de formação identitária, firmando preconceitos devido à ignorância, a discriminação por vários motivos decorrentes deste, levando a desigualdades em nossa convivência, às vezes exclusão, e crimes em outras. Se não for a escola, ou que seja nas aulas desta disciplina, ou que seja em minhas aulas mesmo, é preciso despertar para este tema e enfrentá-lo.

Voltando aos depoimentos, a própria coordenadora vivia entre muitas amizades da mesma linha religiosa, e comentava que as pessoas eram sempre muito alegres e festivas.

Já o amigo da Adventista, deixando claro desconhecer a doutrina de outras correntes, argumentou que a fundamento de qualquer uma seria a Bíblia, e que estas questões que vão para além da doutrina seriam um debate religioso, e por isso, as transcenderiam. E começa seu relato mostrando que, de acordo com ela, “nosso corpo é Templo do Espírito Santo” e, por conta disso, toda pessoa tem o dever de cuidar dele. “Deus não nos fez para sermos preguiçosos, gordos, lentos, ou vagabundos. Deus nos fez pro trabalho” e que trabalhar “o físico” é “honrar a deus”. Todas estas passagens foram devidamente citadas de livros da Bíblia. Curiosamente, muitas artes, filosofias, doutrinas e até religiões, que se dizem libertárias, ajudando a pessoa em seu autoconhecimento e em sua atuação no mundo, se alinham com essa postura quanto ao corpo e ao movimento.

Inclusive, entre meus argumentos utilizando também passagens bíblicas para o próprio estudante eram nessa linha: como assim não pode dançar, se, de acordo com as passagens, havia festa toda hora, incluindo música, dança e comida, além de serem sempre festas com efeito terreno e espiritual – se assim posso afirmar. Uma festa no mundo, louvando algo do outro mundo. E que o primeiro milagre de Jesus foi numa festa, onde o próprio dançava e se embriagava... e fez aparecer mais vinho!!!

Racismo nas entrelinhas da escola pública

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Em 2010, após dois anos trabalhando com propostas “alternativas” numa escola estadual, resolvi firmar não só conteúdos marginais à disciplina que leciono, Educação Física, mas incluir definitivamente a temática racismo nestas aulas, e desdobramentos que se mostrassem pertinentes a esta proposta. Foram dois anos, somando o terceiro com este que passou, incluindo e problematizando (ao menos, tentando) tradições populares na escola pública, em especial com o público do nono ano. Tornaram-se comuns comentários entre estudantes - como “isto é macumba”, às vezes em tons afirmativos, interrogativos ou exclamativos. Até então, trabalhava questionando tais comentários, mostrando definições de uma ou outra coisa para que o conhecimento viesse, para em seguida o reconhecimento e a baixa do preconceito diante de manifestações tradicionais (normalmente de raízes étnicas originárias de culturas nativas de Abya Yala – “Américas” – ou de África). Neste ano de 2010 foi diferente, pois para além disso, inclui “teoricamente” o debate em sala de aula, e junto à “prática” utilizei as avaliações para poder incentivar as turmas a participarem, acreditando que ao viverem estas manifestações, teriam a oportunidade de se livrarem de estereótipos, preconceitos, discriminações ou qualquer outra atitude e comportamento que pudesse inferiorizar estas culturas e as pessoas que as vivem. Notando ainda que esta escola tem um público majoritário de descendentes de indígenas e de africanos, e se consideram cristãos, em especial pentecostais ou neopentecostais. Em todas as aulas a participação das turmas era maciça, com um ou outro estudante assumindo a postura responsável de não participar e por isso não ter os “pontos” de avaliação correspondentes. Eis que surge um caso peculiar: um estudante pede para fazer uma avaliação alternativa, alegando que sua religião não permitira dançar. Explico cautelosamente a importância da atividade e de sua participação, e que a avaliação estava pautada na efetiva participação, e que se ele não participasse não poderia ter uma avaliação alternativa – isso seria uma bonificação. E já se delineava o problema de manutenção de preconceitos, já que se quer “podia” vivenciar as atividades. Noto também que o mesmo estudante nem participava de outras atividades durante o ano, mas a partir do momento que se instalou o quadro das tradições populares, logo veio uma reação. Com o passar das aulas e vendo que sua empreitada não iria funcionar - eu, enquanto pessoa e profissional, estava convicto na minha proposta - resolveu apelar para a coordenação da escola, levando responsável e a constituição do país e do estado, alegando que estava havendo “preconceito de credo” de minha parte e exigindo uma avaliação alternativa. Ora, agora ele estava sendo prejudicado devido às crenças que ele possui? Pois bem. Após o primeiro debate, incluindo uma reunião docente, a coordenação estava inclinada a defender os argumentos do estudante, sem um maior quadro de debate, afim até de evitar problemas em seus desdobramentos – afinal, era e ainda é preciso argumentos muito bem fundamentados para bancar minha posição crítica. Naquela reunião percebi que realmente precisa insistir, firmar, e ir adiante com os desdobramentos que poderiam vir. O estudante nunca mais comentou sobre o assunto, esperando que eu o procurasse com sua avaliação alternativa pronta, mas não ocorreu. Tempos depois a coordenação voltou a me procurar, afim de saber a quanto andava minha posição e lhe disse que era a mesma; e apontei a partir daquele momento diversos argumentos, afim de mostrar o quanto de preconceitos e até de certa ingenuidade ou malícia existia da parte do estudante. O final disso tudo é que ele passou de ano, por seus próprios esforços ou não-esforços, não era um estudante “ruim”... mas ainda sim, nossos objetivos não foram alcançados com ele, ele não estava disponível. E para ajudar profissionais de educação, em especial de Educação Física, aí vão alguns argumentos que usei, inclusive parte deles já fazia parte do conteúdo da disciplina naquele ano.

Alguns preconceitos identificados:
1.o que é educação física?
- Não saber o básico dessa área é um problema comum entre professores, infelizmente, e no ambiente escolar ainda é mais crítica a situação: se resume a esporte, bola, quadra. Em especial, a prática ainda muito presente desde os anos iniciais - o “rolar bola”, que é fazer sempre o que as turmas desejam em detrimento do trabalho sério e comprometido com a qualidade da educação e das intervenções pedagógicas. Desconhecer que a área tem seu campo de estudo entre o corpo e o movimento pode limitar demasiadamente o vivido corporal das pessoas que ali, na escola, estão para ampliá-lo.
2.pra que serve a escola?
- Outra questão que parece boba, mas tem estudante que acha que está ali para conversar. O fundamental da escola é o trabalho, não o alienante, mas aquele que melhora a sua própria intervenção no mundo. Estudantes estão ali para “aprender” (como estes mesmos declaram), tudo aquilo e mais um pouco que em outras situações específicas da vida não poderiam ter como oferta. Conhecer o que não se conhece, para poder também respeitar ou simplesmente saber discernir entre os mundos que existem.
3.a escola pública é laica!
- Ignorar que a escola não professa nenhuma religião, não defende nem ataca, é justamente o que se tem acontecido muitas vezes e em muitas escolas públicas. A laicidade do Estado é a laicidade da escola. Justamente o direito de cada um ter sua crença e/ou sua religião é que permite estarmos debatendo estas numa escola, sem favorecer nem prejudicar ninguém baseado nesse direito. Há também o dever de cada pessoa em aceitar e respeitar o do outro, não significando que tem que agir conforme o outro achar melhor, mas sim agindo diante das leis que são comuns a todos, independentemente.

Especificando:
4.por que a participação é tão importante nas aulas de educação física escolar?
- É justamente na atitude e no comportamento participativo, ou melhor, quando se é ativo ou quando se está em atividade, é que podemos concretizar os conhecimentos que perpassam a área, na forma clássica, vamos dizer. E quando se trata de movimento e corpo, estamos falando dos meios mais básicos de relacionamento com o mundo e com o outro; para romper padrões emocionais nada melhor que se movimentar de forma diferente daquela que cada um tem feito. Ou seja, se não participa das aulas, como pode mudar algo estando parado?

Democraticamente falando:
5.todos são iguais!
- O tratamento diferente gera desigualdade.

Sobre família e sua intervenção na educação escolar de seus estudantes:
- Será que as famílias hoje, em especial, daqueles estudantes de escola pública, têm se interessado verdadeiramente pelos seus estudos?
- Estas ajudam os estudos? Incentivam? Ou só aparecem na escola para uma convocação por “indisciplina” ou para exigir “direitos”, sem os devidos deveres que precisam cumprir?
- Sabe quanto tempo de seus estudantes é dedicado para os estudos em casa?
Vejam que as desigualdades e o racismo andam muito próximos, e se camuflam nas instituições e nas mínimas ações cotidianas de cada pessoa, dentro e fora das aulas.

Bruno Rodolfo Martins
Professor da Rede Estadual e Municipal do Rio de Janeiro – disciplina Educação Física
Especialista em História da África e da Diáspora Africana no Brasil
Especializando em Gênero e Sexualidade
Grupo de Pesquisa Cavalo Marinho Boidaqui
Associação Cultural Ilê Mestre Benedito de Angola

A escravidão no período imperial brasileiro - José Carlos Reinoso

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A escravidão no período imperial brasileiro - Monografia - Jose Carlos Reinoso -

Sobre Oxum

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Meu bem me perguntou o que é Oxum...
O que falar?
Como explicar?

Oxum é mulher
Oxum é a mulher

Amarelo é a sua cor
Amarelo, cor do ouro
cor da areia do rio que leva seu nome.

O rio...
Água doce, corrente...
assim como são as mulheres
doces, correntes, mutáveis.
Água que mata a sede.
Que abraça o corpo
Assim como meu corpo abraça e enlaça o corpo do meu amado.

É nas curvas das ondas do rio.
Que se modela o corpo das mulheres.
E dentro de nosso corpo
que essa água abraça primeiro o ser a nascer.
A água que se forma no nosso ventre, que alimenta e cura esse novo ser.

O ventre... ah! o ventre...
Esse órgão que traz a vida de tantas maneiras...!
Quando feito homem é no ventre da amada que ele procura consolo.
E mais uma vez se sente acolhido e envolto... e encontra a paz...

Quando feito homem é no ventre da amada que ele procura prazer.
Colhendo seu mel, confundindo-se com a explosão de sentidos e sentimentos que esse ato lhe traz.
E é nele que ele (e por ele) pode se perder.

Pois Oxum, a água, o rio, o ouro e a mulher também podem confundir um homem desapercebido.
confundi-lo, e perdê-lo...
Como um rio que enche subitamente e esconde quem está sobre ele.

Oxum é a força de uma guerra silenciosa.
A guerra sem armas de fogo ou armas brancas...
A guerra feita através da artimanha e (mais uma vez) do enlace.
A guerra que a mulher trava com a vida e a morte ao parir...
A guerra travada em prol da pessoa amada,
Sendo ele filho, marido ou amante.
A guerra contra qualquer coisa que vá contra a paz do seu lar.
Sendo seu lar, sua casa, seu trabalho, seu reino.

Oxum não grita, canta.
Como uma Yara tupiniquim... e seu canto sempre traz alguma transformação.

No Brasil, ela foi sincretizada com Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Conceição por conta da ligação com o útero, o ventre...
Aparecida porque apareceu, veio do ventre de um rio...

Meu amor quer entender Oxum...
Meu amor quer saber o que é Oxum...
Como é tolo meu amor!!!!
Pois ele tem um pouquinho de Oxum todo dia... o dia todo...